Clamor do Angustiado
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Regis Terencio.
É difícil aceitar a vontade de Deus algumas vezes. Não
cheira bem, não tem um bom sabor, não parece bom. Podemos não gostar, mas se é a
vontade dEle, temos que confiar.
É difícil engolir o sabor amargo quando as coisas não saem
da forma como queríamos, como planejamos, idealizamos.
Por que tem que ser assim? "Meu Pai, se for possível,
afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu
queres" (Mateus 26:39).
Sei que em Deus posso confiar. Sei que ele não trai, não
falha e não nos decepciona. Eu sei, mas é difícil aceitar e parece impossível de
entender... Que angústia invade meu ser!
E não posso eu estar angustiado? Não tenho este direito? Se
até Jesus se angustiou (Mateus 26:38) – e com muitos mais motivos que eu, por
que não posso eu também estar angustiado frente a um cálice amargo? Cálice esse
que preferia não provar, mas que antes seja feita a vontade dEle. Não deveria
eu estar angustiado? Se até os grandes reformadores estiveram... Disse Lutero: “Ninguém
poderá saber o que meu coração sofreu durantes estes primeiros dois anos, e em
que desânimo, poderia dizer em que desespero, me submergi”. Se Jó também esteve,
por que não posso eu? Não esteve Paulo angustiado enquanto esteve na prisão? E não
deveria também eu estar angustiado? Nesse momento em que provo do sabor
horrível da realidade de uma grande perda, como deveria eu sentir-me se não angustiado?
O Senhor me enche de promessas (Josué 1:9, Isaias 41:10,
Jeremias 29:11-12, Hebreus 10:36 e muitas outras). O Senhor diz 365 vezes “não
tema”. O Senhor que diz “Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem
cuidado de vocês.” (I Pedro 5:7). É o Senhor que escreve nas entrelinhas. É o
Senhor que vê o fim desde o princípio. Frente a tudo isso (e se estou
consciente de tudo isso), por que me sinto ainda angustiado?
É tão difícil olhar para minha tragédia sob minha
perspectiva limitada, e não ver o que Deus tem por trás de tudo isso. É como
perder um braço e ter que entender que Deus tem um propósito com isso. Como
assim Deus? É como ver o filme “Alma de surfista” e identificar-se somente até
a parte em que não há esperanças. Até o ponto em que já não há nada palpável onde
se agarrar. Só me resta esperar e depender do melhor - porém mais difícil, a fé
nos planos misteriosos de Deus.
“Deus nunca dirige os seus filhos de maneira diferente daquela por que eles próprios escolheriam ser guiados, se pudessem ver o fim desde o princípio.” (DTN)
Não adianta. Posso estar sorrindo, mas a angustia permanece.
Até quando estarei cego quanto aos seus propósitos, ó Deus? Até quando terei
que esperar para ver esta situação sob seu olhar divino? Até quando...? Cada
segundo é uma eternidade. Cada milésimo é doloroso. Apressa-te, ó Pai, em
acabar com minha angústia. Mas antes, que ela continue o tempo devido para que
tudo aconteça no Seu tempo...
Eu sei que isso já causou e tem causado em mim muitas
mudanças que há muito tempo ansiavam por acontecer. Eu sei que isso me fez dar
prioridade e resolver as pequenas pendências arquivadas, problemas que vamos
evitando e deixando pra depois. Eu sei que é momento de renovo e sinto-me sendo
moldado mais a imagem de Cristo. Eu sei... E isso é fantástico! Isso precisava
acontecer! Mas será só esse o propósito? Será este o final? Ou tem algo mais? Pois a angústia
continua...
Quero poder seguir o exemplo de Paulo enquanto esteve na
prisão. Mesmo enquanto esteve preso, em momentos de angústia, continuou
escrevendo cartas de encorajamento. Paulo poderia ter escrito a Timóteo “Timóteo,
estou numa cela fria e pequena onde o Senhor me colocou, a qual divido com
ratos que estão sempre tentando comer o meu calcanhar...”. Mas ao invés disso
Paulo disse “Timóteo [...] Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de
Cristo Jesus, o nosso Senhor” (I Tim. 1:2)! E não é possível encontrar nem sequer
uma reclamação de Paulo em suas cartas. Esteve angustiado, mas esteve grato a
Deus, mesmo sem entender, pelo plano que Ele tinha preparado.
Quero ser como um rato de laboratório, que pode estar em um
barril furado afundando em uma piscina e continuar tranqüilo enquanto todos os
outros ratos de esgoto estão desesperados subindo um em cima do outro buscando
sobreviver. Quero ser como o rato de laboratório, que mesmo em meio à angústia
permanece tranqüilo, pois já experienciou a salvação anteriormente. Ele sabe
que antes de tudo estar perdido, virá uma mão lhe socorrer. Como este rato, eu
também experienciei a salvação pela morte de Jesus na cruz. Como este rato eu
quero ser, pois a sua esperança é maior do que o seu sofrimento.
E é assim, em meio à angústia e tribulação, que sigo
confiando em Deus. Confiando que o pranto se transformará em alegria. Confiando
que amanhã um dia novo virá, e o Senhor secará minhas lágrimas. O dia em que a ferida
finalmente fechará. A cicatriz pode ficar, mas já não haverá nem dor, nem
lágrimas, nem angústia. Haverá paz. Enquanto isso, sigo andando pela fé...
Obrigado Senhor! Louvado seja o seu nome! Pois sei que tu és
fiel e vem ao meu encontro para me resgatar! Sei que a tua solução é melhor do
que qualquer que eu possa imaginar!
Feliz Sábado a todos!
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